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28 de fev. de 2014

Uma viagem de trem e o meu universo imaginário

Quando nós começamos a namorar, Fábio algumas vezes comentou sobre o universo imaginário cultivado, intimamente, por cada ser humano. Estou falando de maneira bem genérica, mas foi só depois de ele falar sobre esse assunto que me dei conta do quanto eu, também, tinha meu próprio universo.
Coisas que aos olhos alheios pareceriam bobagem, para quem as cultiva não o são. Hoje, que consigo compreender um pouco melhor o que isso significa, acredito que todos tragam consigo um pouco desse universo 'paralelo' - embora muitos, como eu até tempos atrás, não se deem conta.

Por exemplo: no meu universo imaginário é permitido, interessante, divertido, comprar um maço de cigarros e sentar na escada do hall do apartamento, num fim de tarde, para dar uns tragos – ainda que eu não seja fumante e nem goste muito de cigarro. Existe uma magia nessa cena que só a minha mente é capaz de alcançar. Claro que toda a magia acaba no primeiro trago, na garganta raspando, nas paredes sujas do prédio, nos vizinhos subindo e descendo a escada: essa é a realidade e, no universo imaginário, ela não entra.

Nesse mesmo universo estavam os Trens – os lugares por onde passam os trens, as pessoas que se utilizam desse meio de transporte, os sons, as poltronas, os bilhetes, os restaurantes dentro dos trens, as estações, as viagens, a passagem do tempo quando se está dentro de um. (Não posso deixar de mencionar o importante papel de Before Sunrise, que vi pela primeira aos 16 ou 17 anos, na construção desse imaginário.)
Até essa viagem, só tinha andado de trem uma única vez, ainda bem criança. Se não engano, era uma Maria Fumaça (seja lá o que isso signifique) que saía de Araraquara em direção a Itirapina, com poltronas num tom rosado, tapete vermelho no corredor e janelas abertas. Preciso confirmar isso com meus pais, pois realmente não me lembro - se bobear, eu não andei de trem, eu apenas entrei no trem.

Ainda no Brasil, compramos uma passagem que dava direito a transitarmos livremente por todos os lugares por onde passaríamos, quantas vezes quiséssemos, por um determinado espaço de tempo. Todos os lugares, menos: Edimburgo e Dublin. Isso significa que a maior parte dos deslocamentos foi garantida por um único ticket, que chegou pelo Correios com bastante antecedência, mas o primeiro trajeto, Londres → Edimburgo, teve de ser comprado à parte.

Assim, desconsiderando minha história pregressa (trenzinhos dos tempos de escola também não contam), o primeiro trem em que andei de verdade foi o de Londres a Edimburgo. E foi a partir dessa viagem, que durou cerca de 4 horas, que comecei a encontrar paralelo e observar, na prática, aquilo que até então só tinha vivido aqui dentro, na minha cabeça.

A compra da passagem também foi feita pela internet, em casa, mas para o embarque tivemos de utilizar um código e trocá-lo numa das muitas máquinas espalhadas pelos terminais nas estações de trem de Londres. Isso também não foi difícil, já que no momento da compra recebemos também todas as instruções de como efetuar a emissão do bilhete e nosso hotel ficava ao lado da estação. De qualquer forma, caso tivéssemos dificuldades imagino que não seria um problema, pois os funcionários da National Rail se mostraram bastante prestativos.

Uma coisa que me deixou um pouco confusa no começo foi que nas mesmas estações onde estão os metrôs estão também os trens e acho que se eu estivesse sozinha teria me perdido. Como eu não estava, ♥ ,  isso não foi problema.

No dia marcado, acordamos cedo e saímos, sem o breakfast, para minha imensa tristeza.
Na estação (King's Cross/St. Pancras), comprei um Caramelo macchiato na Starbucks (outra maravilha da Europa: tem Starbucks em absolutamente todo lugar, às vezes mais de 2 num único quarteirão!) e ficamos esperando dar a hora do embarque.
Como lá o sistema ferroviário é extremamente eficaz e pontual, os trens chegam e partem a todo instante, em diversas plataformas, e os painéis têm as informações alteradas o tempo todo.  Não sabíamos exatamente de qual plataforma sairia o nosso e nos restou aguardar a aproximação do horário para, só então, verificar nos painéis. Eu estava um pouco apreensiva, com medo de perdermos o trem, mas o Fábio me tranquilizou.

Deu a hora, pegamos nossas mochilas e fomos. E cadê a catraca? Cadê o fiscal? Cadê tudo? Nada. O trem estava ali, esperando pela gente (a-hãm...), mas não tinha nada para controlar nossas passagens, nada para checar sua validade, carimbar, ou sei lá o quê. Percebemos, então, que o trânsito pela plataforma era livre porque, como havíamos lido antes da viagem, não existe, em geral, fiscalização contínua fora dos trens. Essa fiscalização só ocorre quando você estiver embarcado e, normalmente, com o trem já em movimento. Imagina isso no Brasil?

Entramos, procuramos pelos assentos (marcados), colocamos nossas bagagens em seus lugares, nos acomodamos e começamos a observar o entorno. Pouco depois o fiscal passou, olhou nossas passagens, e partiu.
A maioria dos assentos ficavam dispostos em dupla (como em ônibus normais, só que maiores e bem mais confortáveis) mas em alguns pontos do vagão eram quatro assentos, dois x dois, com uma mesinha no meio. Coisa linda de ver! Num desses espaços, logo após nossas poltronas, um trio composto por duas garotas e um rapaz, todos completamente sem noção, conversava alto, brincava e agia como se fossem os únicos presentes. Confesso que fiquei um pouco irritada, mas Fábio conseguiu me convencer que eu estava exagerando e aí passei a me concentrar no que era mais importante: a paisagem da janela e a gente .

Essa primeira experiência foi muito legal mas, pensando em todos os trens que pegamos, e foram vários!, fica difícil escolher o melhor. Por isso vamos tentar falar separadamente de cada um, conforme formos escrevendo sobre os lugares.


logo cedo, saindo do hotel.

na estação, esperando o trem chegar.

yeeees! tamo no trem!

:-D

pelo caminho.

Fábio disse que na próxima vamos passar por Newcastle.

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