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27 de fev. de 2014

Quando o assunto envolve futebol...

  Quando o futebol está envolvido em alguma história ou conversa não há alternativa para um fanático, ele tem que participar. Por esse motivo hoje sairei da minha confortável condição de leitor do blog para escrever um pouco. Antes do futebol, porém, tenho que falar de certas brutas saudades que as fotos e lembranças publicadas nesse blog têm me trazido. Brutas porque vêm sem dó, sem filtro e me derrubam de emoção e tristeza. A saudade do frio da primavera inglesa, que em certos momentos de vento gelava até os ossos. A saudade de ter o tempo livre e de ter coisas interessantes e estranhas pra olhar e fazer . A saudade de sentir que, na realidade, nesse nosso mundo e nessa nossa condição de ser humano, não há motivo para a exacerbação da diferença. Nessa primeira parada da viagem, a frieza educada e atenciosa dos londrinos trouxe nossa condição de anônimos à tona, mandando nossa apreensão e baixa autoestima embora. Em Londres estamos todos no anonimato, assim como em São Paulo, Buenos Aires ou Bogotá. E os anônimos são iguais em qualquer lugar, podem ser eles europeus ou sulamericanos, ricos ou pobres. 
  Na nossa penúltima manhã em Londres acordamos relativamente cedo, como em todas as outras. Partimos já meio tristes pro metrô, pois sabíamos que ainda não tinha dado pra nos acostumarmos ao jeito londrino e já estávamos indo embora. Mas logo a alegria voltou, pois era hora de visitar algum estádio de futebol no país onde o futebol nasceu. Como nosso passe de metrô dava direito a viajar infinitas vezes por dia, fomos primeiro até o estádio do Chelsea.

  E como foi bom estar na sede do time em cima do qual meu Corinthians havia recentemente sido campeão do mundo. Não pude deixar de tirar onda.










  O caminho do metrô até o estádio foi bem curto, mas deu pra perceber que a região ao redor do campo do Chelsea é bem simpática. Circundamos todo o estádio, entramos na loja do clube, tiramos umas fotos, mas não fizemos a visita guiada. Preferimos fazê-la no Arsenal, clube que na minha opinião tem algumas similaridades com o Corinthians, além de ter comprado alguns jogadores nossos (Sylvinho, Edu). Fiquei meio balançado pra conhecer o Estádio Wembley também, mas não dava pra fazer tudo.

  Pegamos o metrô (que naquele momento já se tornara nosso amigo íntimo) até o Arsenal. Do lado de dentro da estação já havia alguma referência ao maior time de Londres.







 Do lado de fora, casinhas que fizeram a Veri finalmente encontrar o que viera buscar na capital inglesa. Ela gostou tanto dos arredores do Emirates Stadium que queria de qualquer jeito abandonar o Brasil e os Correios (eu também queria e quero) e comprar uma casa naquela região. Sigamos jogando na megasena, ora pois.





  E vamos às fotos do estádio. É modernidade e conforto sem fim. Acho legal. Curto. Mas não dispenso as arquibancadas de cimento duro do interior paulista. Sinto falta da antiga Fonte Luminosa com sua famosa Boca do Lixo.  


















  Ao final da visita, gelados de frio e quase desmaiados de fome saímos voados pra Camdem. Descemos não me lembro exatamente em qual estação e fomos voltando a pé pra região fervilhante do bairro alternativo, onde ficam as feirinhas ou mercados de rua. A fome e o frio deram lugar a uma sensação de estranhamento e bem estar. O visual do bairro e das pessoas inicialmente causaram certa perplexidade. Ali, a Londres formal e comportada dá lugar a um caos de cores, estilos, cheiros e improvisos. Alguns mercados parecem verdadeiros labirintos de barracas vendendo roupas, comida, bijuterias, instrumentos musicais. Passado o estranhamento inicial, porém, se vê que aquilo tudo é um caos organizado. Como dois semi alternativos não se sentiriam em casa no supra sumo da alternatividade londrina?








  Não demoramos muito pra escolher onde comeríamos e acho que acertamos mais uma vez na escolha. Paramos numa barraca de comida persa onde um iraquiano, um iraniano e um afegão atendiam. Pedimos um kebab, ou algo parecido com isso, cheio de cogumelos (foi kebab mesmo, Veri?). O prato demorou alguns minutos pra ficar pronto porque o cara entendeu que eu queria um só, quando na verdade eu queria dois. Enquanto a Veri guardava lugar pra gente poder sentar e comer em paz, troquei uma ideia em inglês com os irmãos do oriente médio. Eu ia tentar gastar meu árabe, mas um dos caras só falava o persa, idioma que não domino, então a conversa teve que ser no inglês mesmo (claro que a parte de falar árabe é mentira). Foi "da hora" o bate papo. Pude entender algumas coisas, fingir que entendia outras e falar e ser compreendido um pouco também. Irmandade legal com os rapazes.






  Comemos famintos, o rango, tão logo ele ficou pronto. Guardei um cogumelo no bolso pra fazer um chá na noite fria e partimos pra rodar os mercados ao ar livre e os fechados também. Comprei uma camiseta bonita escrito London; a Veri comprou uma com a imagem do telefone público londrino bem vermelho.
























  Do meio pro fim da tarde, cansados do lado B da cidade, partimos pra Oxford Street, pra procurar umas lojas que segundo a Veri vendiam roupas a preço bem barato.  Ela experimentou algumas coisas na Primark e desistiu. E passou a transferir pra mim o seu desejo, praticamente me obrigando a experimentar uma porrada de roupas. Fiquei com uma bermuda e um blazer. Achei que seria justo ela pagar, mas não obtive sucesso e tive que arcar com esse gasto a mais.

  Com algumas sacolas na mão, que posteriormente colocamos na mochila, fomos dar uma última sapeada no Hyde Park, que estava bem ali do lado. Ficamos observando as pessoas e a paisagem. A tristeza bateu de vez, pois a noite chegava veloz e sabíamos que no dia seguinte teríamos que partir. Londres merecia pelo menos mais 4 dias.












   Bola pra frente. Andamos mais um pouco pela movimentada Oxford Street e resolvemos subir num dos famigerados ônibus vermelhos de dois andares tão característicos de Londres (eu nem me ligava nisso antes da viagem acredita??). Andamos um pouco, só pra constar, e logo a frente descemos pra continuar nossa caminhança desvairada. Tínhamos que pisar naquele chão e, mesmo com todo o frio que fazia, deixar nosso suor ali. Coitada da Veri que acaba me acompanhando nessas maratonas. Mas estava valendo a pena. As ruas cheias, alegres e iluminadas nos faziam bem, enchiam nosso espírito de gratidão e desejo de voltar pra ficar mais. Víamos gente de todo tipo por ali, calmos e apressados, indo e vindo. 
   No meio daquela multidão toda, um anônimo famoso me chamou a atenção. Fiquei com vergonha de abordá-lo, tamanha a naturalidade com que ele conversava com um grupo de amigas e amigos japoneses. A Veri foi mais corajosa e perguntou, mesmo sem conhecê-lo: 'você é o César Sampaio?'. E ele com uma simpatia sem tamanho respondeu: 'sou sim'. Foi pra fechar com chave de ouro nossa última noite na capital do país do futebol.











Um comentário:

veridiana.ferrari disse...

Primark, H&M, e sei lá mais o que. Acho que nós, brasileirAs e pobres mortais, temos uma ilusão feminina e consumista de que, chegando na Europa, vamos nos deparar com um paraíso de roupas, acessórios e sei lá mais o que, tudo do bom e do melhor, tudo por um 'precinho camarada'.

Eu, que nem sou tão consumista assim, criei essa expectativa idiota para, já na primeira loja, me frustrar e ver que, claro, existem coisas mais baratas, mas roupa é roupa em qualquer lugar e nem sempre o que somos 'educados' para gostar aqui é o mesmo que eles são educados para gostar lá.

Mesmo assim, apesar do fracasso de Londres, demorei pra desistir (iludida, eu falei...).

***

Era Kebab, sim, beibe.
Salivei aqui, mesmo sendo apenas 9 e meia da manha, só de lembrar, rs.

***

Vc descreveu com perfeição o que vimos em Camdem. Eu também sofro um pouco aqui, de saudade de tudo.
:(

bjo

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