Um ponto digno de nota (uma grande nota, se possível fosse): Fábio tem uma habilidade incomparável para planejar roteiros. A impressão que tenho é que é uma espécie de dom, daqueles que lhe permitem olhar para o mapa de uma cidade onde nunca esteve antes e, em poucos minutos, saber exatamente para que lado teremos de ir, onde estão as coisas que procuramos, por qual lado da estação do metrô/trem devemos sair. Sozinha eu acho que não daria conta.
Sorte a minha, que não precisei me preocupar com esse detalhes, tão essenciais, e ainda aprendi algumas coisas a respeito da história de cada lugar, com o melhor professor de todos. <3
Mas então vamos ao primeiro destino: Londres.
No dia 05 de maio pegamos o ônibus em direção a São Paulo, de onde seguiríamos rumo ao terminal de Guarulhos para, então, subirmos em um avião que nos levaria até Roma, onde passaríamos aproximadamente uma hora e meia e, enfim, tomaríamos outro avião com destino a Londres. Ufa!
Pelos nossos cálculos, teríamos de passar a noite vagando pelas ruas e praças da cidade, já que nossa reserva tinha início no dia 07. Também havia a preocupação de pegar o ônibus certo, que sairia do Aeroporto em direção à Kings Cross (próxima ao hotel), porque no horário previsto da chegada as estações de metrô/trem já estariam fechadas.
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| Felizes, ainda no Brasil |
Em Roma, ficamos pelo Aeroporto, mesmo, já que o tempo era insuficiente para dar uma escapada e conhecer brevemente a cidade – ficou para a próxima, que já tem data marcada. Lá, lembrei-me que as tomadas da Europa seguiam um padrão diferente do das nossas e saí em busca de um adaptador, com medo de não encontrá-lo tão facilmente na cidade. Fui atendida por um rapaz que falava italiano, espanhol, inglês e, vendo minha dificuldade em explicar o que necessitava, português! Comprei por quase 30 euros e, claro, gastei mais do que devia já que depois, em nossas andanças, vimos alguns adaptadores mais baratos. Ok, sem problemas, o que não dava pra cogitar era a possibilidade de ficar sem bateria pras câmeras!
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| Roma - Aeroporto Fiumicino |
Tenho poucas lembranças do tempo que passamos nos aviões. Posso dizer que foi bem cansativo, que quase não consegui cochilar, que minhas pernas ficaram relativamente apertadas. A comida, curiosamente, estava boa e de lá do alto nós vimos o deserto do Saara!! – outro plano futuro.
Chegando em Londres, ansiedade. Meu Deus, tamo aqui!
Seguimos a fila para a imigração e demos o azar de sermos atendidos por um funcionário que devia, naquele dia, ter levado um pé na bunda da esposa e estar com uma crise renal associada a umas 3 hemorroidas. Um sujeito muito indelicado, que nos atendeu com grosseria e perguntou por que tínhamos ido e o que pretendíamos fazer lá. As respostas ficaram por conta do Fábio, já que eu fiquei meio indignada com a postura do tal homem e não consegui pensar em nada. A vontade era dizer: vim pra cá porque pretendo explodir algumas bombas pelos metrôs e tocar o terror no seu país! Desnecessária a forma como nos recebeu. Veja, eu não queria um tapete vermelho e nem 3 beijinhos, só um pouco de cordialidade e educação - que foi o que tivemos em todos os outros lugares por onde passamos. Enfim, deixemos a parte chata pra lá, porque isso não é nada perto de todas as coisas boas que nos aguardavam.
Para nossa surpresa, o avião aterrissou uma hora antes do que havíamos calculado: apertamos o passo e conseguimos ir de metrô até o nosso destino.
Antes, pausa para foto, claro!
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| Gatchénho! |
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| Gente, eu tô em Londres! \o/ |
Pegar o metrô foi bem fácil. A sinalização dentro do aeroporto de Heathrow é boa e chegamos com tranquilidade até os terminais, onde compramos os tickets e seguimos.
Já dentro do vagão, quase completamente vazio, nos espalhamos e começamos a desfrutar. Olhei pros adesivos sinalizadores de assentos, para as figuras e propagandas, para os assentos, para as poucas pessoas. Um delas, um brasileiro, entrou pouco depois da gente e sentou-se à nossa frente. Ficou no celular o trajeto todo, falando em português, sem parar. Não me lembro sobre o que falava, não me lembro bem se nessa hora eu conversava com o Fábio, mas agora, enquanto faço esse exercício para resgatar alguns detalhes, me recordo de um pensamento que tive enquanto ouvia o sujeito conversar, tão solto, como se ali fosse mesmo o lugar dele: ele mora aqui. ele tem amigos aqui. ele trabalha aqui. como será que é a vida aqui? como é viver aqui e se movimentar por esse lugar como se fosse sua casa? como seria se fosse a minha vida? Durou alguns segundos, aquelas coisas que passam como flashes.
O trajeto foi interessante, mas, como estava escuro, deu pra ver pouca coisa - a pouca coisa suficiente pra me deixar feliz. Exausta, mas feliz: o meu sonho estava ali e eu quase podia pegar com a mão.
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| Uma parte da bagagem e o vagão, quase completamente nosso. |
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| Não é mais sonho! |






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