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23 de jan. de 2014

Chegando no hotel.

Chegamos à estação King's Cross/St. Pancras, nosso destino final (e ponto de partida para alguns lugares nos dias seguintes) e de lá saímos em direção ao hotel que, de acordo com nosso mapa, estava próximo.

Montana Excel, Argyle Square, número tal, letra tal (pra mim, um absurdo entender a forma de endereçamento deles).
Caminhamos alguns metros, entramos numa rua lateral, fizemos o contorno - alguns pequenos hotéis, um ao lado do outro, um hotel maior e bem bonito, todo branquinho, poucas pessoas pela rua, um mochileiro que cruzou nosso caminho (ou seriam dois? ou seria um andarilho? não me lembro!).
Todas as casas tinham grades iguais, pretas, finas e o padrão também era o mesmo: em sua maioria, tijolos escuros. Depois de andarmos mais uns minutos, avistamos a praça e, logo adiante, a placa de nosso hotel. \o/
Era uma noite bonita, agradável, com boa temperatura (um pouco fria, é verdade) e, embora a possibilidade de passar as próximas horas a perambular por ali não parecesse nada ruim a julgar pelo que víamos, eu queria, mesmo, era ficar 'limpa' e descansar. Estávamos exaustos da viagem, com mochilas pesadas (aproximadamente 13 kilos cada), precisando de um banho e uma cama quentinha.

O recepcionista do hotel não era, definitivamente, inglês (Fábio saberá dizer melhor a respeito de sua nacionalidade). Nos recebeu muito bem e foi bastante atencioso. Seu sotaque era um pouco diferente, mas o inglês era compreensível pros nossos ouvidos ainda desacostumados com o idioma e, depois de pouco tempo de conversa, acertamos uma diária a mais. O nosso quarto, reservado a partir do dia seguinte, estava disponível para aquela noite e foi pra lá que fomos, aliviados e gratos: semblante cansado, olhos vermelhos, ombros doloridos pelo peso da bagagem e um sorriso - eu ia dizer 'um sorriso nos lábios', mas o corretor disse que isso é Pleonasmo, então deixo só o sorriso, que pode ser nos lábios, no corpo, na alma. Pequenas alegrias que, num dia normal, passariam despercebidas.

Aquecedor, lá no fundo.
O hotel, bem simples, tinha 3 andares (se não me engano) e, no subsolo, a cozinha. Nós ficamos no térreo, ao final de um corredor. Quarto básico, com pouco espaço, duas camas, lençóis brancos, limpos, uma pia e a grande maravilha que descobri na Europa: aquecedor!
Organizamos nossos cantos, desfizemos parte das malas e fomos tomar banho.

Sobre os banheiros: embora tenhamos ficado em hostels na viagem que fizemos pela América do Sul, até Londres eu nunca tinha ficado em nenhum com banheiro compartilhado. Confesso que fiquei meio receosa quando fizemos as reservas e até pedi ao Fábio que, dependendo da situação, sempre que eu fosse pro banho ele ficasse 'de guarda' na porta. Não foi necessário. Nem em Londres, nem em nenhum outro lugar - segurança e privacidade, definitivamente, não foram problema.
Ainda que seja um pouco desagrádavel entrar num banheiro de onde outra pessoa, desconhecida, acabou de sair, o que vimos por lá foi bastante cuidado, por parte dos hotéis, em manter os ambientes limpos e prontos para o uso. Em nossa primeira noite, como chegamos tarde, todos os banheiros estavam bem limpos.
Em Londres eram duas portas com vasos sanitários e pias e outras duas, cada uma com um chuveiro. Tive um pouco de dificuldade apenas no que diz respeito aos 'apetrechos higiênicos' (shampoo, condicionador, sabonete, toalha, roupa, chinelo), porque não havia suporte para colocá-los, apenas um ganchinho na porta. Mesmo assim, nada que não pudesse ser contornado, adaptado.
Na segunda ou terceira noite o ralo do banheiro entupiu durante meu banho e formou uma piscina que quase começou a vazar pela porta (o banheiro ficava um degrau acima do nível do corredor), mas eu estava tão cansada que não quis reclamar (um milagre!) e acabei tomando o banho em partes (fechava o chuveiro, esperava a água descer, abria de novo e prosseguia). Na última noite, decidi não lavar o cabelo, porque a água começou a empoçar novamente. Pequenos perrengues que não foram suficientes para estragar o encantamento.

Acordamos cedo no dia seguinte, a cidade nos aguardava e não podíamos perder tempo! Vesti a roupa (tênis, jeans, camiseta e uma blusa pink de linha que me acompanhou e aqueceu ao longo de quase todos os dias dessa jornada) e, quando estávamos 'listos', descemos para o café da manhã.
Ah, o café da manhã! Eu sei que muita gente pode torcer o nariz, pode fazer cara de nojo, pode me achar maluca, mas se tem uma coisa que me faz feliz é comer. E se tem uma coisa que me faz ainda mais feliz é conhecer comidas novas e gostosas. Assim foi com o nosso desjejum: feijão (yes!), pão tostado, tomates cozidos e sem pele, num molho fino e suave, ovos cozidos, bacon e linguiça. Não sou capaz de descrever a alegria que me invadiu quando coloquei a primeira porção na boca. Sou ainda menos capaz de descrever o tanto que salivei aqui, ao lembrar de tudo. Nos dois últimos dias de nossa estada em Londres, eu descia para o café com certa tristeza, com uma vontade imensa de comer absolutamente todos os tomates, todos os ovos, todas as conchas de feijão, porque sabia que ia demorar bastante tempo pra voltar pra lá, depois que partíssemos.

Delííííícia!


Ok, chega dessa cena.

Terminamos nosso primeiro e deslumbrante café inglês, escovamos os dentes, pegamos nossas mochilas e saímos pra falar um oi: Oi, Londres! Oi, Black Cab! Oi, ônibus vermelho de dois andares! Oi, mão invertida! Oi, ciclistas! Oi, pessoas de preto no metrô! Oi, vida! Oi, céu azul! 


Vizinhança

A praça
Litter - na praça


Oi, céu azul!

Oi, ciclistas!

Oi, gente de preto no metrô!

Oi, vida minha!  <3



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