É difícil começar a escrever tanto tempo depois de a viagem ter acontecido porque, infelizmente, muitas coisas se perdem. O que fica, claro, é o mais importante: as emoções, as sensações, os flashes de memória, o sorriso que brota sempre que vemos algo que nos remete ao que vivemos. Vira e mexe me pego lembrando de um e outro passeio que fizemos, da sensação que tive numa determinada caminhada, de algo que comi, mas já não consigo recordar com tanta rapidez e facilidade todos os passos que demos, dia após dia. O lado bom (até agora não consegui encontrar lado ruim) de viajar com alguém é que, caso a gente esqueça, pode recorrer ao outro pra nos ajudar a lembrar.
Foi o que eu fiz hoje. Precisei recorrer ao Fábio porque simplesmente não conseguia refazer os passos de nosso primeiro dia de
exploração de Londres.
Abre um parêntese para desabafo. Nessa de tentarmos relembrar o que fizemos, me dei conta de outra coisa: comecei a me comprometer com esse blog de um jeito errado. Isso aqui não é um blog informativo para viajantes. Podemos, claro, oferecer informações ocasionalmente, mas o objetivo é simplesmente registrar nossas impressões de uma viagem que foi especial pra gente e compartilhar com alguns queridos. Só isso. Eu não preciso dar detalhes e muito menos ser absolutamente fiel ao que de fato aconteceu, tenho que ser fiel ao que sinto e às minhas impressões. Só.
Fecha o parêntese.
Prossigamos.
Eu dizia que acordamos, tomamos nosso delicioso, fantástico, saboroso e diferente
breakfast, nos preparamos, pegamos nossas mochilas e saímos.
O dia estava lindo. O céu, azul. Primavera, né, o que se pode esperar? Fomos agraciados com um primeiro dia de temperatura amena e muita, muita luz. Logo que saímos do hotel, ficamos alguns minutos pela rua, demos uma olhada na praça, observamos seu entorno, reparamos nos ciclistas que passavam apressados por ali (em nossa rua havia pouco movimento de veículos), tiramos algumas fotos.
 |
| Luz |
Logo na esquina, antes de atravessarmos a rua, já demos de cara com os famosos ônibus vermelhos de dois andares, com os black cabs e, claro, com a mão invertida - algo absolutamente inconcebível para a motorista que há em mim; dirigir em linha reta, vá lá, mas fazer curvas me parece impossível. Pausa para mais algumas fotos, mais céu azul, pessoas, movimento e, bem à frente, a estação King's Cross/St. Pancras. Prédio lindo, todo de tijolinhos a vista (vejam o post anterior, também há uma foto lá), super conservado.
 |
| êêê! |
 |
| É o Big Ben? :p |
Nossa primeira missão foi comprar o
travelcard e seguir em direção aos pontos programados no roteiro (London Eye, Big Ben, Parlamento, Catedral de Westminster, Churchill Museum, etc).
A compra do travelcard foi meio chatinha, porque queríamos garantir que estávamos comprando o passe certo, de modo que ficamos um certo tempo tentando explicar o que queríamos para o atendente (um senhor imponente, bem sério, mas muito cordial e atencioso) e, fora isso, ainda era preciso escolher por quais zonas iríamos transitar e por mais que ele tentasse nos dar a opção, não conseguimos compreender de imediato. Depois de alguns minutos de conversa e explicações conseguimos nos entender – nós, tentando demonstrar o que necessitávamos, ele, tentando nos dizer 'ok, gente, já entendi, agora me digam pra quais zonas vocês querem os tickets'.
Tickets na mão, seguimos. Não sem observar o povo todo ao nosso redor. Maioria gritante de pessoas vestindo cores sóbrias, cinza, preto, marrom, todas vivendo mais um dia de suas rotinas, trabalho, estudos. E nós ali, felizes e saltitantes, com nossas peças de roupas coloridas - assim como, imagino pelo nosso semblante, também estavam nossas almas
 |
| zóinho cansado e espírito feliz |
Saindo da estação, já demos de cara com um jardim completamente cheio de tulipas. Tulipas, aquelas flores super fáceis de desenhar quando se é criança mas que a gente nunca vê de verdade. Pois ali tinha um monte delas, de todas as cores possíveis e imagináveis (depois encontramos mais em outros lugares, também). Lindas.
 |
| Victoria Embankment Gardens - esse é o nome do lugar. ;) |
 |
| Já mencionei a luz? |
 |
| Tulipas e mais Tulipas! |
Nesse lugar, já pudemos começar a observar uma das coisas que mais nos encanta sempre que vamos para fora do Brasil e que, na Europa, é muito marcante: Fábio chama de utilização/aproveitamento do espaço público. É muito comum vermos pessoas, de todos os tipos, sentadas lendo um livro, lanchando, dormindo!, olhando para o vazio, se exercitando. Áreas verdes são extremamente bem cuidadas, preservadas e mantidas, ao que parece, justamente para que essa utilização realmente aconteça. E acontece.
 |
| S2 |
 |
| Participando da paisagem |
 |
| A vida acontecendo |
 |
| Meu tulipo.<3 |
 |
| soneca.... |
 |
| :D |
Passamos pela ponte de Waterloo, sobre o Tâmisa e seguimos para... deixo a sequência de fotos falar por mim:
 |
| passamos por cima dela. |
 |
| lindo, né? |
 |
| :* |
 |
| pessoas.... |
 |
| right on time! |
 |
| vamos explodir o Parlamento! |
Ficamos algum tempo tirando fotos e contemplando tudo. É inexplicável. Eu estava deslumbrada, eufórica, besta, feliz, emocionada, sem saber o que fazer, pra que lado olhar, o que sentir, o que pensar. No meio desse turbilhão todo, conhecemos duas brasileiras que tiraram fotos nossas e conversaram um pouco conosco. Estavam vindo de Amsterdã (que estava na nossa rota) e disseram que lá ventava demais, que passaram frio, etc. Lembro vagamente que nos contaram sobre outros lugares por onde passaram, mas meu foco naquele momento era outro, rs.
 |
| com turistas ao fundo |
 |
| sem turistas ao fundo |
 |
| o meu amor |
 |
| :D |
 |
| ELE! |
Nenhum comentário:
Postar um comentário