Fora isso, em minha cabeça formou-se a ideia (completamente equivocada, eu descobriria tão logo saíssemos da Waverley Station) de uma cidade com uma geografia, se é que posso chamar assim, mais ou menos como a do mapa abaixo.
Depois de ver o mapa, deduzi que desceríamos na estação e andaríamos mais ou menos 5 quarteirões até a casa onde alugamos um quarto. Teríamos, de um lado, o Castelo de Edimburgo, de outro, o Arthur’s Seat (que eu queria muito conhecer, especialmente depois das conversas e planos que fiz com um Fábio absolutamente entusiasmado). Próximos dali, Holyrood Palace, Carlton Hill e no centro, pertinho de ''nossa casa" e da estação, a National Gallery.
Tudo muito lindo: estar em Edimbrá, no fantástico mundo de Veridiana, seria como ir pro Hopi Hari e passar ali um dia inteiro, rodeada de atrações coladinhas uma na outra, sem grandes sacrifícios, só muita emoção e alegria.
Ledo engano.
Primeiro, porque que estava frio. Muito frio. E eu descobri, depois de 33 anos dizendo que amava o frio, que a gente só ama o frio quando não sabe o que é passar frio. Em Edimburgo, eu passei frio. Eu senti dor nos ossos, na pele, nos olhos, na alma, por causa do frio. Fui obrigada a comprar luvas porque minhas mãos simplesmente não ficavam quentes. E chovia - chuva fina, garoa, coisa pouca, é verdade. Mas se juntarmos o frio que fazia ao vento que é bem comum por aquelas bandas e acrescentarmos uma garoa, olha, posso garantir: não é bom. Ainda assim, agora, revivendo o que passamos por lá, e lembrando até mesmo de minha pele seca, de meu rosto dolorido e dessa parte sofrida, sinto saudades.
O Fábio tem uma visão diferente das coisas. Ele gosta de sentir tudo aquilo que a viagem permitir que se sinta. Defende que isso é parte do processo, é parte de estar num lugar diferente e de perceber, por completo, toda essa diferença. Hoje, eu concordo um pouco mais com ele porque, tenho de admitir, sei que perdi algumas boas oportunidades na viagem por conta de uma rigidez desnecessária. Como não dá pra voltar atrás, o que digo: eu passei muito frio lá, e isso me deixou um tanto quanto... mal humorada e pouco propensa a querer encarar qualquer tipo de sacrifício, por mínimo que fosse, para explorar a cidade. Azar o meu, infelizmente.
Quando chegamos à estação, Fábio já sabia por qual lado teríamos de sair, por qual rua deveríamos seguir, em qual esquina teríamos que virar. Eu, ajuizada, só fiz obedecer. Foi aí, na primeira subida, que o Castelo de ilusões que se formou em minha mente a respeito de como seriam as coisas em Edimbrá começou a ruir. A começar pelo fato de que as ruas ao redor da estação não eram quadradinhos bonitinhos e pequenos como os do mapa. As ruas eram contornadas por quarteirões relativamente grandes, cheios de casas que pareciam um complexo grandioso de castelos de pedra cinza escuro. Era tudo lindo. Parecia que estávamos num universo à parte, num mundo fora do tempo e espaço que conhecemos, uma dimensão onde as coisas se encaixam e enquadram de um jeito diferente. Pra mim, foi meio como estar em "As Brumas de Avalon". O frio já começava a causar certo incômodo, mas encarei a caminhada de cerca de 30 minutos que fizemos com as mochilas de aproximadamente 13 kilos nas costas com relativo bom humor – andando, meu corpo ficava mais quente e a dor nos ombros pelo peso da mochila acabou ficando em segundo plano. Sim, 30 minutos. Não, nossa casa não ficava a 5 quarteirões da Waverley Station...
Pelo caminho, numa rua que parecia ser a principal daquele caminho todo, diversas lojinhas, brechós, mercadinhos, restaurantes, lojas de cacarecos, gaivotas (os urubus da Europa - depois falo sobre isso) e bakeries e eu ficando encantada com tudo aquilo e querendo parar em cada uma das fachadas pra olhar através do vidro e querendo comer doces, pães, cookies e tudo o mais o que via pela frente. Fábio me deu uma bronca de leve (e fez bem, porque se me deixasse parar eu não sei se conseguiria, depois, continuar o caminho) e seguimos em frente. Ainda por essa rua, encontramos um restaurante indiano por um precinho super camarada e decidimos depois voltar lá para almoçar.
Quando alugamos o quarto, imaginávamos que seria um hostel mas, chegando lá, vimos que se tratava de uma casa, relativamente grande, habitada por Margareth, an authentic Scottish woman (palavras dela, com voz grave, quando perguntei seu nome) que, pelo que entendi, alugava os quartos pra tirar um extra mas não era lá muito preocupada com isso e muito menos com seus hóspedes. Nosso quarto ainda não estava disponível, então deixamos lá nossas mochilas (devidamente fechadas com cadeados, rs), pegamos a chave com a Margareth, e saímos pela cidade. Eu mal cheguei e já estava super preocupada com como faríamos para ir de lá até o aeroporto, onde pegaríamos o avião para Dublin, então aproveitei enquanto Fábio foi ao banheiro para tentar soltar língua e me informar. Na saída, ela disse que a previsão do tempo era de muito frio para os dias seguintes e percebi cada parte de meu corpo gritando silenciosamente (!!) MERDA!
Mais leves, pudemos observar melhor as ruas, casas, pessoas. E na primeira oportunidade que tive, arrastei o Fábio pra dentro de uma bakery pra comprar um cookie de chocolate recém saído do forno por 1 libra. Ele chiou, disse algo como 'você vai querer comer isso antes do almoço? vai estragar!'. Mas no final acabou até comendo uns pedacinhos comigo. ;) Não me lembro de termos feito muita coisa além de perambular, nesse início de caminhada, e tirar algumas fotos até encontrar o tal restaurante indiano para almoçarmos. Interessante observar que havia pouquissima gente nas ruas, pouco movimento, uma tranquilidade de cidade do interior, beeem interior. (fui checar o dia da semana em que chegamos lá: sábado. então tá explicado). Depois do almoço, as coisas ficaram mais movimentadas.
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| essas são as cores predominantes. |
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| tava com frio.... |
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| comida super apimentada - jarra de água pra ajudar, rs. |
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| a gente, dentro do restaurante. |
Foi um dia longo. Depois que almoçamos, saímos para explorar o centro da cidade. Ficam as fotos e, no próximo post, o relato continua.
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| acho que isso aqui era o pártio de uma Academia de Artes |
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| artista de rua |
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| algumas ladeiras (suaves) |
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| transito.... |
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| passagem secreta. |
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| conheço essa figura de algum lugar... |
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| "o homem na multidão" |
Encontramos (Fábio encontrou) esse museu (foto abaixo) totalmente por acaso, numas dessas ruazinhas que cortam os caminhos principais por onde a grande maioria de nós nem se arrisca a passar. Fica a dica: se tem ruazinha, se tem caminho diferente, se tem algo que chama a atenção, conheça, siga, caminhe. Você pode se surpreender.























































